Eu não quero expor aquela opinião "modinha" de que "Ah, não sou hipócrita e odeio quem seja!" ou de "Ah... Hipocrisia é coisa de gente falsa...". Não quero expor essa opinião porque percebo, e quero mostrar-lhes também, que todas as pessoas têm, pelo menos um pouco, hipocrisia em seu ser e negar isso é uma idiotice.As pessoas vivem em sociedade, uma sociedade que, não apenas vive, mas sobrevive de aparências. Sobrevive com a falsidade ou, melhor falando, com a hipocrisia.
As pessoas sempre querem mostrar para os outros imagens de que são melhores do que parecem ser ou que podem fazer coisas que não conseguem e tal, seja em uma entrevista de emprego ou na hora de galantear uma presa. Tem muita gente que não aprova isso, porém vou mostrar com exemplos que a hipocrisia é necessária para nossa sobrevivência. Querem um exemplo?
_Você fala diretamente a uma pessoa feia que ela é feia quando ela pergunta se está bonita?
_Você diria para a sua mulher que ela é gorda?
_Você diz sempre a verdade para o seu namorado?
Tenho certeza que, pessoas ajuizadas, com certeza não fazem essas coisas. Mas atenção, níveis de hipocrisia acima do normal podem matar! Este "veneno" deve ser consumido com prudência, apenas na medida de uma sã convivência social. É claro que nunca nenhum de nós é completamente franco, o que constituiria uma desgraça, o caos, em termos relacionais. Às vezes convém ser moderado na expressão das nossas opiniões, pois não conseguiríamos obter com elas nada de verdadeiramente importante e apenas causaríamos muitos estragos vãos. Outras vezes, porém, impõe-se a necessidade da verdade nua e crua, sendo que a verdade é sempre subjetiva. Direi então, impõe-se revelar o outro lado das questões aquele que nunca vê a luz por conta da hipocrisia. Saber distinguir esses momentos é porventura uma questão de sensibilidade, como outra qualquer. Ou poderá ter a ver com a noção dos limites do perigo aliados a uma grande falta de pachorra. Já dizia Vitor Hugo:
"O hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga.
Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso.
O odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpetuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjoo em que o hipócrita quase vomita o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho.
Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. O verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. O traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. o hipócrita é um titã-anão."
Que pena tenho dos hipócritas... A hipocrisia não se vale apenas de atos, mas de palavras e pensamentos. Hipócrita não é aquele que se resguarda, mas sim aquele que “se monta” em um personagem, aquele que faz da sua vida um verdadeiro espetáculo de teatro, onde se retrata em muitos personagens. Ando por ai e encontro nos olhos alheios mais sorrisos falsos do que lágrimas verdadeiras, pessoas que se trajam amigas, companheiras, parceiras, mas na primeira oportunidade revelam suas verdadeiras faces, mostrando-me preconceitos, perfídias e fuxicos.
Julgam-me metida por não ser bajuladora, me julgam má por não ser hipócrita e se julgam justos o sufiente para me julgar. Espalhem por ai críticas e mentiras sobre minha pessoa, não me importo, mantenho meu caráter e minha índole intactas. Pensamentos voam sem rumo, uma imaginação surreal, distorcida por essa sociedade hipócrita, e já não se sabe onde e quando, termina ou começa a vida real, se é que existe!
Eu sinceramente tenho vergonha de viver em um mundo tão hipócrita, injusto e ignorante.
Começo a acreditar que já está mesmo na hora de tudo se acabar!