Vou-me para uma segunda metade de um quarto de um todo indivisível e invisível. E nesse compasso dissonante quanto mais aprendo, menos sei e contrariamente mais certezas tenho sobre a Vida. A Vida, a divindade invisível, pouco adorada, apesar de muito adornada. Aprendi isso até agora, e mais uma meia dúzia de coisas.
Vou-me feito um sol que começa a alcançar o meio dia. A perspectiva do mundo ainda é de sombras, e de certezas fugazes, mas apesar disso muito saborosas. E as pessoas? Fato é que trocamos os aviões de plástico, que erguíamos fazendo sons com a boca, imaginando vôos, e hoje fazemos o mesmo com nossos trabalhos, amores, futuros. É tudo luz e som, e um pouco de sabor e textura. As alturas ainda não me assustam, mas as multidões já me afastam um tanto, as indecisões já me geravam distanciamentos, hoje muito mais.
Há ainda muita esperança, pois apesar de curta, a Vida é profunda, e nela cabe muita coisa. Passados podem ter nova leitura, futuros podem ser replanejados, e os presentes hão de ser muito saboreados, temperados de lucidez e insanidades, como de costume.
Há muito amor, muita paixão, muita lágrima e solidão. Paciência e tolerância. Os sonhos são reeditados, e vou pouco a pouco sabendo mais e mais o que eu definitivamente não quero pra mim (o que é um avanço na direção do que quero). As horas a frente variam entre atrasos e adiantamentos de tudo. Há rimas e desacertos, e sei que ainda vou revisitar muitas vezes o que tenho entendido ser uma das coisas mais tristes da nossa existência, que é o descompasso de nossas individuais percepções de tudo.
Há muito o que revisitar. Farei muito turismo sobre ruas velhas, remodeladas, revistas. E também hei de ser estrangeiro em muito futuro impensado. E é isso que lanço para tudo que me rodeia nesse momento. Pois apesar de não ser exatamente quem eu gostaria de ser, sou muito mais do que jamais imaginei que pudesse me tornar. A Vida ainda me surpreende, e enquanto isso acontecer, sempre valerá "a pena".