Rio de Janeiro!
Você está nesse momento no pé de uma ladeira. Essa ladeira é de paralelepípedo, calçadas largas, árvores enormes que fazem sombra e pessoas passam sem te perceber.
Já no começo da ladeira, você percebe que algo no ar mudou, só que você não entende o quê.
Então você sobe.
No topo da ladeira tem uma escada, e essa escada te leva para uma rua de nome Joaquim Murtinho. No chão dessa rua passam trilhos
DE BONDE
Você nem percebe e já está seguindo os trilhos. Algo te impede de voltar. Você sabe que se descer só mais um pouco, vai poder ver a Lapa de cima dos Arcos, um dos visuais mais admirados na cidade. Um bairro de construções conservadoras e vida boêmia. Mas hoje não.
Hoje você quer subir.
Muitos carros estão parados na rua e te impedem de andar pela calçada. Os prédios e casas não têm garagem. Mas e daí, aqui anda-se pela rua mesmo. Seguindo mais acima, você avista o Largo do Curvelo.
Tem uma parada do bonde lá.
Do lado esquerdo de quem sobe tem uma placa verde, tem o nome do lugar ali.
Seus olhos focam no que parece ser um mirante.
E que vista!
O Rio de Janeiro e suas luzes!
Só que você quer mais, confia em mim, sobe mais um pouco. A experiência de subir por essa ladeira a gente nunca esquece e sempre quer mais.
Ali tem
luzes,
sons,
cheiros,
imagens.
As luzes da cidade, o som das rádios que fogem das casas próximas à calçada, Val e suas quentinhas que exalam pelo ar e imagens...
os artesãos do ferro-velho
o Rio e seus prédios enormes
o bonde que passa sacudindo
os moleques com berimbau jogando algo, que dizem, é capoeira
e pessoas que passam
seguindo com suas vidas
Bem vindo ao Largo dos Guimarães
Aqui a nostalgia dá lugar à alegria. O som agora vem dos bares, apinhados de gente, cerveja e
gargalhadas sonoras. Um lugar de gente especial, você percebe.
Seguindo o trilho, a sensação é de estar em algum lugar perdido, em alguma cidade bem longe dessa babilônia.
Iluminação baixa, sem semáforos, artistas pelas ruas, poesia, música, arte.
Essa Teresa, nada Santa, deixa em quem passa por ali, lembranças inesquecíveis e um gostinho de quero mais. Uma sensação, que agora você não vive mais sem ela.
Santa Teresa tinha mesmo que ter nome de mulher, e como toda mulher que se preze,
Tereza é envolvente,
criativa,
risonha e
sensível.
Não há quem resista a Teresa
e não se apaixone à primeira vista
Olhares sinceros, sorrisos espontâneos, vozes embargadas pelo álcool
e embriagadas de emoções,
corações leves, soltos.
Teresa não tem preconceito, respeita as diferenças, opiniões, orientações.
Acolhe os artistas indecisos, os andarilhos perdidos e os corações enamorados.
Teresa conhece a vida como ela é, e é feliz desse jeito. E ela não é só isso.
Teresa não é só romance, é política, social. Se mete, pinta a cara, o muro, o asfalto e vai pra rua.
Exige seus direitos e cobra soluções. Teresa não é conto de fadas, é real, humana.
Teresa é carioca, tem ginga!
Fala todas as línguas, tem todas as cores, é de todos os lugares, sem deixar de ser daqui!
Teresa se renova, moderniza, mas não perde o charme dos velhos tempos!
Deve ser por essas e outras que chamam Teresa de Santa!
Santa Teresa!
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